Qual Disjuntor Usar para Cada Bitola de Fio? Tabela de 1,5 a 16 mm²
Qual disjuntor usar para cada bitola de fio? Não existe uma correspondência fixa do tipo “2,5 mm² = 20 A” ou “6 mm² = 40 A” válida para qualquer instalação. O disjuntor deve ser escolhido de forma que a corrente de projeto, a corrente nominal da proteção e a capacidade corrigida do cabo respeitem a relação Ib ≤ In ≤ Iz.
Na prática, a bitola ajuda a definir um limite térmico de referência, mas temperatura, agrupamento, método de instalação, número de condutores carregados, isolação e distância podem mudar a capacidade disponível do condutor.
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Tabela: qual disjuntor pode ser usado em cada bitola?
A tabela abaixo usa uma condição de referência para condutores de cobre com isolação PVC 70 °C, método B1 e dois condutores carregados. Os valores de disjuntor mostrados são apenas correntes nominais que podem ser analisadas se a corrente da carga e a capacidade corrigida do cabo permitirem.
| Bitola | Iz de referência — B1 | Disjuntores que podem entrar na análise* | Guia detalhado |
|---|---|---|---|
| 1,5 mm² | 17,5 A | 10 A ou 16 A | Ver guia 1,5 mm² |
| 2,5 mm² | 24 A | 16 A ou 20 A | Ver guia 2,5 mm² |
| 4 mm² | 32 A | 20 A, 25 A ou 32 A | Ver guia 4 mm² |
| 6 mm² | 41 A | 25 A, 32 A ou 40 A | Ver guia 6 mm² |
| 10 mm² | 57 A | 40 A ou 50 A | Ver guia 10 mm² |
| 16 mm² | 76 A | 50 A ou 63 A | Dimensionar conforme o circuito |
Para comparar também três condutores carregados e outras observações, consulte nossa tabela de fios e amperagem por bitola.
O que significa Ib ≤ In ≤ Iz?
- Ib: corrente de projeto do circuito.
- In: corrente nominal do disjuntor.
- Iz: capacidade de condução do condutor nas condições reais da instalação.
O objetivo é permitir que o circuito opere normalmente sem disparos indevidos, mas sem deixar o cabo trabalhar acima da capacidade considerada no dimensionamento.
Disjuntor para fio 2,5 mm²: 16 A ou 20 A?
Um fio de 2,5 mm² em cobre/PVC 70 °C pode ter 24 A como referência no método B1 com dois condutores carregados. Isso não significa que todo circuito de 2,5 mm² deva receber disjuntor de 20 A.
Se a corrente de projeto for 18 A e, após os fatores de correção, o cabo ainda tiver Iz igual ou superior a 20 A, um disjuntor de 20 A pode ser compatível com o critério Ib ≤ In ≤ Iz. Se o agrupamento ou a temperatura reduzir Iz para menos de 20 A, essa escolha deixa de atender ao critério.
Por isso, a pergunta correta não é apenas “qual disjuntor para fio 2,5 mm²?”, mas sim qual é a corrente da carga e qual é a capacidade corrigida desse cabo nessa instalação?
Disjuntor para fio 4 mm²: 25 A ou 32 A?
No mesmo cenário de referência, 4 mm² apresenta Iz de 32 A. Um disjuntor de 32 A só pode ser considerado quando a corrente da carga justificar esse valor e a capacidade corrigida do cabo continuar igual ou superior a 32 A.
Se fatores de correção reduzirem Iz, um disjuntor de 32 A pode deixar de proteger adequadamente o condutor. Nessa situação, pode ser necessário usar uma proteção menor ou aumentar a seção do cabo.
Disjuntor para fio 6 mm²: posso usar 40 A?
Com Iz de referência de 41 A no método B1, um disjuntor de 40 A pode ser tecnicamente possível somente se a corrente de projeto não ultrapassar 40 A e a capacidade corrigida permanecer em pelo menos 40 A.
Esse detalhe é especialmente importante em circuitos sujeitos a temperatura elevada ou agrupamento. Uma pequena redução na capacidade do cabo pode tornar o disjuntor de 40 A incompatível com o condutor.
Disjuntor para fio 10 mm²: 50 A ou 63 A?
Na condição de referência usada aqui, 10 mm² apresenta Iz de 57 A. Portanto, um disjuntor de 50 A pode ser analisado se Ib e a capacidade corrigida permitirem. Já 63 A ultrapassa os 57 A dessa condição de referência e não atende diretamente à relação In ≤ Iz.
Isso não significa que 10 mm² nunca possa aparecer em outra configuração com proteção diferente. O método de instalação, a isolação e as condições do circuito podem mudar a capacidade do condutor. O ponto é que não se deve escolher 63 A apenas porque o cabo é de 10 mm².
O disjuntor protege o cabo ou o equipamento?
Em circuitos de baixa tensão, o disjuntor termomagnético participa da proteção dos condutores contra sobrecorrentes e curtos-circuitos. Equipamentos também podem exigir proteções próprias definidas pelo fabricante.
Por isso, um chuveiro, forno, motor ou ar-condicionado não deve ter a proteção escolhida apenas olhando a bitola do fio. O equipamento, o circuito e o condutor precisam ser analisados em conjunto.
Curva B ou curva C: muda a amperagem do disjuntor?
A curva não altera o valor de corrente nominal In impresso no disjuntor. Ela muda principalmente o comportamento do disparo magnético diante de correntes elevadas de curta duração.
A Schneider Electric informa, para disjuntores modulares conforme a ABNT NBR IEC 60898, que a curva B atua magneticamente entre aproximadamente 3 e 5 vezes In, enquanto a curva C atua entre 5 e 10 vezes In. Cargas com características de partida podem exigir análise específica da curva e do fabricante.
Por isso, escolher “curva C porque é mais forte” é um erro. A curva deve ser compatível com a carga e com as condições de proteção contra curto-circuito.
Disjuntor 1P ou 2P: qual escolher?
O número de polos depende do esquema de alimentação e da forma de seccionamento exigida para o circuito. Em um circuito fase-fase, por exemplo, a proteção precisa considerar os dois condutores de fase. Em fase-neutro, a solução não deve ser definida automaticamente apenas pela tensão nominal.
Essa é outra razão para não comprar o disjuntor antes de definir corretamente o circuito.
Quer evitar tentativa e erro? Informe potência ou corrente, tensão, distância e condições de instalação na nossa calculadora gratuita para obter uma pré-seleção do cabo e da proteção.
Quando aumentar a bitola em vez de reduzir o disjuntor?
Se a corrente da carga exige um disjuntor maior, mas o cabo não possui capacidade suficiente depois das correções, reduzir o disjuntor pode causar disparos durante o uso normal. Nesse caso, a solução pode ser aumentar a seção do condutor.
A distância também pode exigir uma seção maior por causa da queda de tensão, mesmo quando o cabo atende ao critério térmico.
Exemplo completo: cabo 6 mm² e carga de 36 A
Considere um circuito com corrente de projeto de 36 A e cabo de 6 mm². Na condição B1 de referência, Iz é 41 A. Um disjuntor de 40 A satisfaria, inicialmente, 36 ≤ 40 ≤ 41.
Agora suponha que temperatura e agrupamento reduzam a capacidade corrigida para 34 A. O mesmo conjunto passa a falhar no critério porque In = 40 A > Iz = 34 A. Além disso, a própria corrente da carga de 36 A já ultrapassa a capacidade corrigida.
Nesse cenário, não basta “trocar o disjuntor”. O circuito precisa ser redimensionado, provavelmente com seção maior ou alteração das condições de instalação.
Onde comprar disjuntores e cabos depois de dimensionar?
Depois de definir corrente nominal, número de polos, curva, capacidade de interrupção e seção do cabo, compare produtos de fabricantes reconhecidos e vendedores com boa procedência.
Perguntas frequentes
Qual disjuntor usar para fio 1,5 mm²?
10 A é comum em iluminação, mas 16 A pode ser tecnicamente possível em algumas condições. A escolha depende de Ib, Iz corrigida e demais critérios do circuito.
Qual disjuntor usar para fio 2,5 mm²?
16 A e 20 A são valores encontrados com frequência em circuitos com 2,5 mm², mas não existe escolha automática. Verifique se Ib ≤ In ≤ Iz após as correções.
Posso usar disjuntor de 32 A com fio 4 mm²?
Na referência B1 com dois condutores carregados, Iz é 32 A. Portanto, 32 A fica exatamente no limite tabulado e deixa de ser compatível se fatores de correção reduzirem a capacidade do cabo.
Posso usar disjuntor de 40 A com fio 6 mm²?
Pode ser possível quando Ib ≤ 40 A e a capacidade corrigida do 6 mm² permanecer em pelo menos 40 A. Não adote 40 A apenas pela seção nominal.
Disjuntor de 63 A pode proteger fio 10 mm²?
Não na condição B1 de referência usada neste artigo, em que o 10 mm² apresenta Iz de 57 A. Outras condições de instalação e isolação precisam ser analisadas separadamente.
Conclusão
A melhor forma de relacionar disjuntor e bitola de fio é esquecer tabelas rígidas e trabalhar com a coordenação do circuito: Ib ≤ In ≤ Iz.
Use a bitola como parte do dimensionamento, aplique as correções necessárias e só depois escolha a corrente nominal, curva, polos e capacidade de interrupção do disjuntor.
Para agilizar essa etapa, use a Calculadora de Dimensionamento de Cabo Elétrico. Depois de definir a especificação, consulte nossa página Onde Comprar Cabos e Disjuntores.
Fontes técnicas: ABNT NBR 5410, edição vigente a confirmar no momento do projeto; Schneider Electric Brasil — curvas B, C e D em minidisjuntores segundo ABNT NBR IEC 60898; documentação técnica do fabricante do dispositivo de proteção.
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